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A Libido Segundo a Psicanálise de Sigmund Freud

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Comenta-se muito a distinção entre o ato sexual de fato e a sexualidade na teoria freudiana, Freud por acreditar que a energia sexual é o que movimenta o sujeito e que estrutura o seu aparelho psíquico acabou por criar conceitos que têm relação com a sexualidade para sistematizar a sua teoria. Então vale ressaltar que a libido, assim como vários dos conceitos freudianos, não necessariamente têm uma conotação sexual. Além disso, tem uma validade especulativa – heurística – por não ser empiricamente comprovável. Por heurística pode-se entender um caminho viável para construir uma teoria de forma substituível e sujeita a revisões, mas que no momento foi importante para chegar a conceitos cruciais em um certo sistema de conhecimentos.

Para iniciar os estudos em psicanálise é importante ressaltar que existem informações empíricas (validadas experimentalmente) e teóricas (especulativas). Freud criou a teoria psicanalítica de forma a deixá-la aberta para revisitações e possíveis reconstruções teóricas.

A libido não é a sexualidade em si. Quando Freud fala da sexualidade ele se apoia em evidências empíricas – como no caso do desenvolvimento psicossexual, do fenômeno histérico, dentre outros – mas na libido é um elemento heurístico e especulativo. A libido está associada a elementos empíricos e por isso se caracteriza como um dado especulativo.

Ao pressupor que existem pulsões que entram em conflito, Freud considera útil também uma dimensão quantitativa dessas qualificações, que no caso é a libido. "Nós a representamos [a pulsão] como um certo montante de energia que impulsiona numa direção determinada" (FREUD, 1933a/ lição32, p. 179; SE, XXIII, p. 96).

O conceito de libido é fundamental para a concepção dinâmica da psicanálise, como Freud define: a concepção "econômica" da abordagem psicanalítica. A libido é o vetor quantitativo das pulsões que dialogam entre si e determinam um deslocamento de energia viável para o sujeito.

A libido tem duas fases. 

A fase inicial que está ligado ao autoerotismo e a fase secundária onde esse vetor é direcionado ao outro e às atividades. Por isso, é necessário considerar a libido como uma delimitadora do narcisismo na história do sujeito.

A teoria da libido será articulada com todo o processo de desenvolvimento do psiquismo, visto que este será pensado pela maneira como são estabelecidas as relações entre os desejos e seus "objetos", noutras palavras, pelos tipos de investimentos libidinais que o indivíduo realiza consigo mesmo e com o mundo (seus objetos), ainda que, em certos casos, esse mundo seja o próprio indivíduo. 

A teoria do desenvolvimento da libido corresponde à parte especulativa da teoria do desenvolvimento da sexualidade que, subdividida em fases (oral, anal, fálica, genital), explica uma série de comportamentos observáveis, associando-os à teoria da energia sexual (libido) que investe tais e tais objetos, de tal e tal modo, segundo as fases do desenvolvimento. (FULGÊNCIO, L.).

Dessa forma fica claro que a libido é um investimento que o sujeito realiza em suas atividades cotidianas em busca de satisfação de seus desejos. Existe a dialética da forma como essa libido funcionaria, para alguns psicanalistas seria em forma de energia, visto que Freud adotou as ciências naturais como pilar edificador de alguns traços de sua teoria, mas alguns outros dizem que a libido como energia é algo completamente substitutivo e não tem valor edificante para a teoria psicanalítica. Então não há um consenso sobre a forma da libido, apenas da sua existência como um princípio organizativo das pulsões. 

Referências:

​FREUD, S. Oeuvres complètes Psychanalyse. Diretores da publicação: André Bourguignon e Pierre Cotet; diretor científico: Jean Laplanche, Paris, PUF.

FULGENCIO, L. A Teoria da Libido em Freud Como Uma Hipótese Especulativa. Ágora. v. 1. n. 1. jan/jun 2002 p. 101-111.

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