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Alguns Pressupostos Teóricos e Epistemológicos sobre Comportamento Segundo a Análise do Comportamento

skinner-teoria Alguns Pressupostos Teóricos e Epistemológicos sobre Comportamento Segundo a Análise do Comportamento

Dentre as principais abordagens que constituem a Ciência denominada Psicologia encontra-se a Análise do Comportamento que possui suas raízes filosóficas no Behaviorismo Radical, com o trabalho de Skinner na década de 1930 sobre os processos de aprendizagem. (Alencar, 2007; Lattal, 2005).

Segundo Sério e Micheletto (2008), uma das características que distinguem a Análise do Comportamento das outras abordagens é a proposição do comportamento como objeto de estudo da psicologia. 

"O comportamento é uma matéria difícil, não porque seja inacessível, mas porque é extremamente complexo. Desde que é um processo, e não uma coisa, não pode ser facilmente imobilizado para observação. É mutável, fluido, evanescente e, por esta razão, faz grandes exigências técnicas a engenhosidade e energia do cientista. Contudo, não há nada essencialmente insolúvel nos problemas que surgem deste fato".

(Skinner, 1953, p. 17) 

Skinner se refere ao comportamento como característica primordial dos seres vivos. Afirmando que o termo comportamento descreve sempre uma relação; o intercâmbio entre organismo e o ambiente; o ambiente é aqui entendido como a situação na qual o responder acontece e a situação que passa a existir após o responder.

Mais especificamente comportamento descreve uma relação ou interação entre atividades do organismo, que são chamadas de respostas e os eventos ambientais que são chamados de estímulos. O comportamento é definido como a relação entre estímulo e resposta. (Sério e Micheletto, 2008)

De acordo com Sidman (1989) o comportamento é tudo o que as pessoas fazem como andar, correr, chorar, dirigir um carro, falar, escrever, estudar, entre outros. Estas ações são públicas, pois outras pessoas podem vê-las, medi-las e descrevê-las. Entretanto, outra parte do comportamento é privada, pois não é diretamente acessível aos outros, por exemplo, pensar, falar para si mesmo, prestar atenção, sentir-se triste ou alegre, imaginar, etc.

A Análise do Comportamento lida com o manejo do comportamento humano, e como o indivíduo está sempre se comportando e levando em consideração que este comportamento é resultado de interações entre as características herdadas da seleção natural (contingências filogenéticas), as características resultantes da história de vida (contingências ontogenéticas) e características dos grupos de uma cultura ou sociedade (contingências culturais).

Segundo Cameschi e Abreu-Rodrigues (2005) Skinner em 1953, distinguiu o comportamento em respondente e operante. Certa parte do comportamento é eliciada por estímulos; é o chamado comportamento reflexo ou respondente. Segundo Galvão e Barros (2001) este é o tipo de comportamento mais simples dos organismos, sendo caracterizado como uma reação imediata do organismo (resposta) a um evento ambiental antecedente específico (estímulo). Como exemplo de comportamentos respondentes pode ser citado um toque na pálpebra (estimulo antecedente) que provoca fechamento da pálpebra (resposta). Esta relação entre o estímulo antecedente e a resposta é chamada de reflexo, pois se refere ao fato de que o organismo não necessita aprender a reagir ao estimulo.

Estas respostas, de acordo com Banaco (2001) podem ser incondicionadas ou condicionadas. As respostas incondicionadas ocorrem na presença de estímulos incondicionados enquanto as respostas condicionadas ocorrem na presença de estímulos associados aos estímulos incondicionados, ou seja, a partir dos reflexos incondicionados se dão origem os reflexos condicionados ou secundárias. Estas são reações do organismo eliciadas por eventos ambientais antecedentes específicas após o organismo ter sido submetido a uma história de condicionamento.

Skinner (1953) ainda fala sobre o comportamento operante, este opera sobre o meio ambiente produzindo conseqüências que aumentam a probabilidade da resposta ocorrer novamente. O comportamento operante é fortalecido ou enfraquecido por eventos posteriores a resposta de um organismo, por exemplo, cada vez que um indivíduo abre a porta (resposta do organismo) tem acesso a outro lugar (evento posterior a resposta). O comportamento operante é assimilado pelo organismo ao longo de sua história de vida, ele é aprendido.

A Ciência Análise do Comportamento considera como fundamental a probabilidade de que uma ação ocorrerá, segundo Baum (1999), a moderna teoria da evolução fornece um poderoso referencial para falar sobre comportamento.

Na verdade, já não é mais possível discutir comportamento fora desse contexto porque "desde Darwin, os biólogos vem reivindicando cada vez mais o comportamento como parte de seu objeto de estudo" ( Baum , 1999) em consonância com a suposição de continuidade das espécies, sua atenção tem sido dirigida também e cada vez mais para o comportamento humano.

Referências:

ALENCAR, E. T. da S. Análise do comportamento: do que estamos falando? ConScientiaeSaude, São Paulo, v.6, n.2, p. 261- 267, 2007.

BAUM, W.M. Compreender o behaviorismo: Ciência, Comportamento e Cultura. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1999.

BANACO, Roberto Alves et AL. Sobre Comportamento e Cognição: aspectos teóricos, metodológicos e de formação em analise do comportamento e terapia cognitivista. Org. Roberto Alves Banaco. 1ª ed. Santo Andre, SP: ESETec. Ed. Associados, 2001.

CAMESCHI, Carlos Eduardo e ABREU-RODRIGUES, Josele. Contingências aversivas e comportamento emocional. In ABREU-RODRIGUES, Josele; RIBEIRO, Michela Rodrigues. Análise do comportamento: pesquisa, teoria e aplicação. Porto Alegre: Artmed, 2005. p.113-138.

GALVÃO, Olavo de faria, BARROS, Romariz da Silva. Curso de Introdução a Análise do Comportamento. Editora: CopyMarket.com, 2001.

LATTAL, Kennon A. Ciência, tecnologia e analise do comportamento. In ABREU-RODRIGUES, Josele; RIBEIRO, Michela Rodrigues. Analise do comportamento: pesquisa, teoria e aplicação. Porto Alegre: Artmed, 2005. p.11-14.

SÉRIO, T.M.P.; ANDERY, M. A.; MICHELETTO, N.; GIOIA, P.S. Controle de Estímulos e Comportamento Operante: uma (nova) Introdução. 3ª ed. São Paulo: Educ, 2008.

SIDMAN, M. (1989): Coerção e suas Implicações. Tradução de Maria Amália Andery e Tereza Maria Sério. Campinas. Editora Livro Pleno.

SKINNER, B. F. (1953): Ciência e Comportamento Humano. Tradução de João Cláudio Todorov. São Paulo. Editora Martins Fontes, 2001. 

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