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Análise do Filme O Senhor das Moscas com Base Nas Principais Teorias de Dinâmica de Grupo

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Resumo:

O presente artigo apresenta uma análise do filme "O Senhor das Moscas", sob o aspecto dos principais teóricos e teorias de Dinâmica de grupo, trazendo uma perspectiva aprofundada sobre os pontos que caracterizam e que compõem um grupo, aplicando minuciosamente os significados encontrados no filme com análises que possam atribuir sentido maior a momentos que possam passar despercebido.

Palavras-chave: Grupo, Dinâmica, Análise, Teorias

1. Introdução

O artigo tem como finalidade discorrer semelhanças e aplicações das teorias de Dinâmica de grupo com o filme "O Senhor das Moscas", sendo este último uma história que permite identificar, ao longo do enredo, várias teorias a respeito dos eventos grupais e individuais. Tendo então por base a história de um grupo de escoteiros que estavam em um voo de volta para casa e acabam por sofrer um acidente aéreo, e sobrevivendo a tal tragédia, se organizam em uma nova "sociedade" para conseguir sobreviver em uma ilha. A partir de tal história que não falha ao retratar a realidade de um grupo e os estágios pelos quais se desenvolvem desde sua criação até sua dispersão, este artigo tenta por em detalhes quais e como seriam as aplicações das principais teorias de dinâmica de grupo e relações humanas com a finalidade de categorizar tais teorias e relações.

Pode-se então tomar como base as teorias mencionadas no livro Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas de Pierre Weil que serão exemplificados e detalhadas no referencial teórico. 

2.  Referencial Teórico

2.1  J. L. Moreno

Fundamentando-se na socioanálise, Moreno vai dar prioridade à comunicação não-verbal, nos problemas da criança, do doente, do minoritário, e cria o termo ''telé'' para explicar o que seria o uso da empatia e da comunicação de forma compreensiva ao seu máximo, e ao enfatizar isso ele externa a importância da relação do eu-outro com o grupo construído, é preciso estar junto, estar perto e possuir um elo para conhecer-se.

Enfatiza a necessidade da espontaneidade (que difere de espontaneidade patológica) e para isso há também a necessidade de uma certa liberdade e criatividade para aplicar na realidade em que se vive e fazê-la cada vez mais completa.

Nota-se então sua preocupação em enfatizar as ''conservas culturais'' que seriam respostas condicionadas por um meio cultural que são emitidas logo no começo da evolução da criança, que envolve um processo de tradições e regras culturais que são concretizados em sua subjetividade e que também suprime impulsos naturais à medida que estabelece e aplica papeis sociais a estes indivíduos. O homem é sua atitude mas ele também é o que pode vir a fazer, existindo uma fusão do que ele ja é com a sua potencialidade de ser. Moreno também afirma que uma das necessidades básicas e principais do homem é de ser aceito, amado, reconhecido, estabelecendo o átomo social de cada um.

De acordo com ele, é necessário determinar a importância, a relevância e o peso de cada pessoa no grupo: indivíduos periféricos poderiam ser integrados no grupo de acordo com o manuseio das linhas de força de rede sociométrica, afim de aceitá-los. É preciso então estudar as redes de comunicação dos indivíduos inseridos ali, com um destaque para aquilo que ele chama de sentimentos reais.

2.2  Kurt Lewin 

''Introduziu as noções de equilíbrio quase-estacionário, de contemporaneidade, de  nível de aspiração, de ''existência'', de barreira e guarda-barreira'' (pg. 27)

Kurt então se utiliza dessas noções para estabelecer uma teoria dinâmica da personalidade, ligando também a pesquisa à ação, se utilizando de associações com a física para tornar seu método de psicologia social uma análise exata assim como um processo matemático, como por exemplo, o fato de a dinâmica de grupo ser o contrário de qualquer tipo de estática (como entendido na física). E escolhe pesquisar sobe grupos minoritários e a resistência à mudanças, tendo comprovado também algumas teorias psicanalíticas.

Escolheu pesquisar sobre os objetivos, sobre a coseno, a locomoção em direção ao objetivo, as pressões do grupo à procura da uniformidade, a maturidade do grupo, a atração que o grupo exerce sobre os seus membros, o equilíbrio das forças, e etc.

Lewin funda o Research Center for Group Dynamics, no M.I.T, mas após suas morte esse grupo foi transferido para a universidade de Michigan, tendo lá um curso seu de doutorado de especialistas em psicologia social. Formou-se então o Training Group concomitantemente com a ''descoberta'' do feed-back , com a equipe de Lewin continuando seu trabalho na psicologia social como pequenos grupos se utilizando das ferramentas que aprenderam para analisar estes.

Estabelece-se então a concepção lechiguana de equilíbrio metaestável das forças de um grupo, que trabalha pelas diversas forças do campo social, levando em conta seus objetivos. Enfatiza-se então o que seria a procura por estabilidade e equilíbrio das forças geradas por intervenções. Kurt analisava também essas mudanças que eram causadas e se preocupava com as probabilidades de ocorrências de determinadas situações e suas imprevisibilidades, considerando a importância do plano emocional do grupo. 

2.3 J. P. Sartre

A teoria de J. P. Sartre caracteriza-se pela busca da inteligibilidade dos grupos, bem como os diferentes momentos do processo do grupo. Com relação à inteligibilidade, enfatiza que esta estaria envolvida em uma relação dialética e pela reciprocidade e troca. Além disso, fundamenta que tal inteligibilidade se refere ao entendimento do meio em que uma pluralidade é integrada com um todo, e que a totalidade seria "como um ser que, radicalmente distinto da soma de suas partes, se reconhece todo inteiro - de uma forma ou de outra - em cada uma de suas partes e que entra em contato consigo mesmo quer por sua relação com uma ou várias de suas partes, quer por sua relação com as relações que todas ou várias de suas partes mantêm entre si". (p. 2, RUBINI, 1999). Dessa forma, o grupo deve se tratar de algo em desenvolvimento e não acabado. Além disso, cita os grupos anti-dialético, onde as práxis transformam-se em "prático-inerte", isto é, sem sentido, fazendo o grupo morrer antes de se desagregar.

Com relação a algumas características do grupo, podemos citar o "grupo em fusão". O grupo em fusão se trata de um grupo em formação, onde não há chefes e os participantes exercem tanto papel de mediador como de mediado, e há somente líderes temporários. Logo depois vem uma etapa chamada de "O compromisso", onde cada participante do grupo se compromete no grupo fazendo com que este se firme em um compromisso, considerando traidor aquele que dele se rompe. Após isto, começa uma organização do grupo na qual são estipuladas as tarefas e funções. Na "fraternidade do terror", enfatiza que entre passagem da organização para a instituição há o terror, que é adotada para eliminar os participantes que querem se desviar e assim evitar que o grupo se acabe. A organização passa para instituição quando a função antes desempenhada passa a ser uma obrigação. 

2.4 Carl Rogers

Outro teórico é Carl Rogers. Rogers enfatiza em sua teoria a terapia concentrada no cliente, estabelecendo que o foco deva ser sempre o cliente e não o aconselhador. O aconselhador tenta adentrar ao máximo no mundo do cliente, buscando uma relação de igualdade entre aconselhador-cliente. Para Rogers, a função do aconselhador seria "clarear e tornar verbalizados e objetivos os sentimentos do cliente, que, por si só, é capaz de autodeterminar-se" (p. 36, WEIL). Portanto, o aconselhador poderia cumprir tal função através do uso de repetição, de encorajamento e elucidação de sentimentos, por exemplo.

Com relação ao grupo de formação, a teoria Rogeriana de concentração no cliente e não-diretividade prevalece não importando a formação do monitor, e no T Grupo, tal monitor teria a função de ouvir e escutar o que se passa no grupo, esclarecendo o momento em que estão vivendo.

2.5 Robert Bales

Robert Bales vai ser responsável por estruturar, simplificar e codificar a observação de grupo, criando um sistema de áreas: Área interpessoal (reação positiva), Área de tarefa ou interpessoal neutra (tentativa de respostas), Área de comunicação (perguntas), Área interpessoal (reações negativas). Bales observou que os grupos vivem em sistema de equilíbrio circular homeostático, passando dessas zonas neutras citadas às zonas sócio emotivas, sejam positivas ou negativas. O grupo começaria então, segundo esse teórico, a explorar a situação com base nos valores, necessidades e desejos do grupo para assim montarem seus objetivos.

O grupo então, segundo ele, começa a perceber os papéis e a zonas de influência, quem seria no caso o líder e quem controlará a atividade de outros. Logo após a fase de expressão de sentimentos – os negativos geralmente precedendo os positivos, o grupo entrará na fase de decisão. Resumindo de forma sucinta as fases de comunicação, avaliação, controle, decisão, redução de tensão e reintegração, são fases comuns de grupos, sempre em sentido circular, como se houvesse uma "volta à estaca zero", que volta a reestruturar-se para enfrentar uma nova situação. 

2.6 William C. Schutz

​ Outro autor a ser considerado é William C. Schutz. Para ele há vastas semelhanças entre um indivíduo, um pequeno grupo e mesmo uma instituição. Schutz estabelece como postulado que o ser humano tem necessidade de outros seres humanos seja de aceitação, de compreensão, inclusão, tornando isso uma necessidade interpessoal. Essa foi dividida por Schutz em três diferentes zonas: inclusão, controle e afeição. Estas zonas serão responsáveis por satisfazer um equilíbrio das relações. Cada zona será responsável por determinados comportamentos, na zona de inclusão: bipossocial, introversão e afastamento do grupo, hipersocial, extroversão e busca dos outros, social, à vontade com pessoas e só, interação não lhe traz problema, patologia da inclusão, traduzido por ansiedade no contato com o outro. Na zona de controle: abdicrata, abdica do poder e da responsabilidade nas suas relações com outros, autocrata, tenta dominar os outros e colocar-se à testa da hierarquia, democrata, resolve suas relações com os outros, sentindo-se a vontade em qualquer situação, dando ou recebendo ordens, patologia do controle, não respeita os direitos e privilégios alheios por falta de controle interior. Na zona de controle: biopessoal, evitar ligações com outros, pessoal, se sente bem em qualquer que seja a relação, patologia da afeição, não integração por conta de experiências passadas. 

Schutz vai especificar essas fases nas quais a fase de inclusão vai se referir a procura dos participantes do lugar que lhes convém e nessa altura o grupo estabelece limites, criando polos de atração e subgrupos. A fase do controle se refere a o procedimento utilizado para se obter uma decisão, compreendendo a luta de forças, distribuição do poder e do controle pelo grupo, partilha de responsabilidades, liderança e discussões sobre seus objetivos. Após isso, na fase de afeição, os participantes tentam integrar-se emocionalmente, manifestando-se sentimentos de todos os tipos

2.7  Bernard Mailhiot

Por fim, Bernard Mailhiot reforma as fases de desenvolvimento de um grupo, dividindo em fases:

  • 1.Fase 1 - Problemas da dependência: O grupo precisa resolver o problema da autoridade de forma imediatista, vivendo a fase de exploração, atribuindo a alguns participantes a função de liderança. Momento em que há bastante ansiedade e tensão em um grupo, pois tudo ainda é muito confuso. O grupo procura objetivos, tema, líder, organização, para diminuir essa ansiedade frente ao desconhecido. Após isso o grupo vive a fase de contra dependência e luta, no qual os participantes se mostram hostis ao líder, ou monitor, reprovando qualquer atitude sua, considerando as ineficazes ou não funcionais, que são constantemente ignoradas, contrariadas e não entendidas. Essa situação se resolve por si mesma, transferindo as preocupações do grupo para o problema da divisão das responsabilidades dentro dele.
  • 2.Fase 2 – Problema da interdependência: onde o grupo é capaz de progredir e então poder trabalhar com euforia e coesão. A chamada fase de "encantamento", no qual o grupo chega à maturidade. Após isso observa se a clivagem no qual alguns participantes se aproveitam dessa situação eufórica para resolver seus problemas pessoais, onde o desejo precisa ser compreendido, aceito e estimado pelo grupo.O próximo estágio seria o da identidade, no qual o grupo pergunta a si mesmo quais o limites da experiência para que haja bons resultados e como resolver problemas que surgem no grupo. 

2.8 Reações-G

Além de todas essas teorias abordadas acima baseadas no texto Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas de Pierre Weil, um aspecto também muito importante em um grupo são as denominadas Reações-G, trabalhados no texto Reações Características de Grupo. Estas se referem às características presentes em um grupo, que correspondem: Facilitador, Homeostase, Transferência Múltipla, Ataque ao Facilitador, Teorização, Ressonância, Desconfiança, Apoio, Permissividade e Socialização, Mecanismos de Defesa, Subgrupos, Fragmentação e Saturação, Bode Expiatório, Reação ao Estrangeiro, Espelho, Representação, Condensador, Associação Reativa, Historiador, Saída de um Participante, Transformações ou Mudanças Significativas em um membro do grupo, Sensação de chegar a um Planalto, O Acordo, Sensação de Plenitude, Ritmo e Tensão, O Radar, Batalha entre os sexos, Disputa entre classes sociais, Desintegração, Provocação, Coalizões, Traidor, Porta-voz, Verticalidade e Horizontalidade e Caos ou Desorganização. Dessa forma, cada uma dessas características desempenha um papel e função diferente dentro do grupo.

3. Estudo de Caso

3.1 Caso

​O filme "O Senhor das Moscas" retrata a história de um grupo de meninos que em detrimento de um acidente aéreo acabaram caindo em uma ilha deserta. Em virtude disso, fez-se necessário a adaptação ao novo ambiente e a formação de uma nova sociedade, enfatizando que a dinâmica grupal, mesmo realizada por crianças, reflete a necessidade da imposição de leis e regras que possam guiar a mesma, envolvendo disputas de posições e funções e trabalho coletivos dentro da hierarquia formada por eles, refletindo o instinto de sobrevivência humana, que por se relacionar em grupo, também trabalha na manutenção e dinâmica deste último.

3.2 Contextualização

Com relação à teoria de J. L. Moreno, podemos perceber evidente no filme sua afirmação: "As necessidades essenciais do homem são ser amado, estimado, reconhecido e aceito". Vê-se isso em todos os participantes no grupo retratados no filme, onde apesar das disputas e conflitos há no fim um objetivo geral de sobrevivência, de busca por uma homeostase que garanta o funcionamento saudável do grupo.

Relacionando a teoria de Kurt Lewin, sua aplicação das interdependências das forças concretizam a teoria dinâmica da personalidade, que é o que observamos no filme com os altos e baixos decorrentes. Suas pesquisas sobre os tipos de grupos permite utilizar um modelo de investigação científica, como por exemplo, a identificação dos tipos de grupo e componentes (no caso de Ralph e Jack que ambos autocráticos), tudo isso no sentido de tentar perceber um estado de equilíbrio em meios as intervenções e mudanças de forças.

Com base na teoria de J. P. Sartre com relação ao grupo em fusão, isto é, grupo em formação pode-se perceber no início do filme quando a posição de líder ainda estava pendente em decorrência do estado grave de saúde do antigo líder (piloto), portanto, os participantes tomaram iniciativa de mediar à situação, inserindo no grupo um objeto de decisão (a concha), tornando possível para cada membro do grupo mediar e ser mediado. Depois, tem a parte do compromisso, que se estabelece com a escolha do novo líder (Ralph), e o grupo firma um compromisso para desenvolverem estratégias para serem resgatados, o que virá à tona na fase da organização, onde serão distribuídas tarefas e funções como no filme, que depois de estabelecido o grupo cada qual recebe uma função, seja para buscar alimento, seja para manter o fogo aceso. Com relação à Fraternidade do terror, que se estabelece entre a organização e a instituição, podemos observar no filme que tal fenômeno ocorre quando o grupo precisava sofrer ameaças para manter seu funcionamento, tanto por Ralph que dizia que se eles não fossem resgatados nunca mais iriam ver suas famílias e que morreriam ali, e também por Jack, que assim como Ralph, utilizava a família como pretexto de chantagem, e que suas ordens é que eram as necessárias para a sobrevivência do grupo. Após isto, a organização passa a instituição, ou seja, as tarefas que antes eram função viram obrigação. No filme, podemos observar que tanto Ralph como Jack querem obrigar os membros do grupo a fazer aquilo que querem. Ralph, por exemplo, sempre brigava com os membros do grupo quando estes deixavam o fogo apagar, enquanto Jack impunha castigos e punições para os participantes que o desobedeciam, ou seja, essas ameaças resultavam em punições por parte de ambos os líderes que se identificaram como tal, que difere apenas na sutileza da punição (Ralph X Jack).

Com relação à teoria de Rogers de grupo de formação, onde no T Grupo, o monitor teria a função de ouvir e escutar o que se passa no grupo para esclarecer o momento em que estão vivendo, no filme, este papel de monitor seria representado por Piggy, que a todo o momento retrata que deviam se comportar como adultos, agir em conjunto, para tentar buscar alternativas para o momento em que estavam vivendo.

No aspecto do teórico Robert Bales podemos observar que no filme o "Senhor das Moscas" é possível observar vários dos processos citados, os meninos na ilha passam constantemente da zona neutra, onde eles têm uma tarefa a cumprir (objetivos ligados à sobrevivência) para a zona sócio emotivas. Os meninos ao chegarem à ilha e se perceberem sozinhos, sem o a monitoria de um adulto, entram na fase que Bales chama de fase de exploração no qual eles vão discutir quais os objetivos do grupo, segundo seus desejos pessoais e suas necessidades. Após isso, aparecem nitidamente os polos de atração, aonde eles numa reunião vão tentam descobrir "quem será o patrão" e há no filme uma diferença de opiniões por parte deles. A maioria escolhe Ralph como o líder a princípio, mas alguns preferem Jack. Há uma passagem do filme interessante em que Ralph e Jack caminham e brincam na praia, mostrando que nessa fase ainda havia o processo que Bales vai nomear de cristalização de intenções e nesse período há descargas de tensões, daquela situação ruim em que se encontravam, perdidos numa ilha, lutando para sobreviver. Essas descargas se manifestam através de risos, brincadeiras e etc.

Vale ressaltar que segundo Bales a expressão de sentimentos os negativos prevalecem sobre os positivos e realmente isso que observamos no comportamento dos meninos como um todo na ilha, a agressão se sobressai aos sentimentos positivos, tornando o ambiente tenso e com muita expressão de ansiedade.

Partindo para o teórico William C. Schutz, podemos observar todos os meninos exceto Jack e Ralph, como o abdicrata , pois abdicam do poder e da responsabilidade facilmente nas suas relações com os outros ao se reunirem e decidirem que Ralph (pela maioria) seria o líder. Submetem-se e permanecem na posição de subordinados. Jack seria o autocrata, pois seu comportamento era diferente do Ralph quanto à liderança, quando saiu do grupo de Ralph e criou o seu próprio grupo, assumiu um papel de líder que tenta dominar os outros e coloca-se a em uma hierarquia, sendo inflexível e grande detentor de ansiedade. Ralph seria o democrata, no qual em seu grupo, ele resolvia suas relações com os outros, nessa zona de controle. Em Schutz haverá também a fase em que após a chegada a ilha haverá a decisão do grupo sobre os encargos, no caso a reunião em que decidiram quem seria o líder e como procederiam para sobreviver naquela situação, essa fase é a chamada fase de controle.

Por fim o teórico Mailhiot podemos observar que o grupo se insere na Fase I – problemas da dependência, no qual novamente, haverá a fase da decisão e quem vai dirigir o grupo. O grupo de meninos na ilha foi tomado como Schutz disse, pela tomada de ansiedade: "... por se encontrarem numa situação em que os sinais são confusos, em um território cujas fronteiras são pouco definidas e onde tudo é móvel e flutuante." É bem característico no filme ver o quanto é confusa aquela situação para os meninos, pois ali eles estão longe dos pais, da civilização, numa situação onde a sobrevivência é mais difícil, se trata de um território o qual não conhecem direito e nem ao menos tem um adulto para os supervisionarem, então é uma situação rodeada de grande ansiedade. O próximo estágio que podemos identificar no filme é a de contra dependência, no qual há atitudes hostis ao monitor e que procuram congregar os dependentes nesta hostilidade. Ou seja, qualquer atitude que o monitor faça é objeto de reprovação e isso podemos observar que depois de determinados acontecimentos, Jack começa a reprovar e destoar das atitudes de Ralph como líder, coagindo outros meninos do grupo com ele e logo Jack se desfaz do grupo e cria seu próprio grupo com suas próprias regras. 

4. Considerações Finais

O presente artigo possibilitou compreender os aspectos que caracterizam um grupo, uma vez que forneceu uma análise do filme sinalizando os principais pontos que regem e que se encontram em um grupo. Além disso, é perceptível que a dinâmica que rege um grupo apresenta várias etapas, funções, papeis e fundadas em várias teorias acima supracitadas.

Considerando além das teorias apresentadas, também destacamos as chamadas Reações-G, onde foram enfatizadas algumas dessas reações que se fizeram presentes no filme, permitindo uma melhor compreensão dos papeis desempenhados pelos participantes desse grupo.

Em suma, consideramos a importância de entendermos como funciona a dinâmica de um grupo, e a análise do filme foi de primordial relevância para expandir nosso conhecimento.

5. Referências

RUBINI, Carlos. Dialética dos Grupos: contribuições de Sartre à Compreensão dos Grupos. Revista Brasileira de Psicodrama. V.7. N.2, 1999;

WEIL, Pierre. Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas. Editora Itatiaia.

CASTILHO, Áurea. A Dinâmica do Trabalho de Grupo. RJ: Suality Marle, 2002. 

2
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