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As Polaridades em Gestalt-Terapia

yin-yang-polarizacao-polaridade

O Organismo do ser humano é composto por polaridades e tem como objetivo organísmico autorregular-se a partir de sua integração. A integração de polaridades constitui atitudes criativas e responsáveis, além de equilibradas. Vamos dar um exemplo: Qualquer organismo tem a sua polaridade egoísta e empática. É comum uma dessas polaridades dominar em alguns campos, e essa dominação depende da relação que se tem com os elementos do campo. Então, o sujeito não é egoísta ou empático, o indivíduo tem possibilidade de ser egoísta e empático sem que isso o defina.


Perls (2002) – o fundador da Gestalt-Terapia para escrever sobre pol aridades, se baseia no conceito de Salomom  Friedlaender de pensamento diferencial e indiferenç a criativa:

[...] se quisermos ficar no centro do nosso mundo, seremos ambidestros - então veremos os dois polos de todo evento. Veremos que a luz não pode existir sem a o-luz. A partir do momento em que existe igualdade, não se pode mais perceber. Se sempre existisse luz, vocês não experienciariam mais a luz. Deve haver um ritmo de luz e escuridão

(PERLS, 1977, p. 35).

Nesse excerto fica possível compreender que o importante é o equilíbrio entre as polaridades que possuímos. Como a teoria organísmica propõe: "O equilíbrio é saúde e saúde é fluidez". Fluidez no sentido de transitar entre as polaridades de forma consciente e responsável.

De acordo com Zinker (2007), o indivíduo é um conglomerado de forças polares que se interrelacionam , mas nã o necessariamente no centro. As polaridades de cada característica podem ser mú ltiplas como, por exemplo, a suavidade pode ser a polaridade da dureza, mas també m da crueldade ou mesmo da indiferenç a. Para o autor, o indivíduo saudá vel é c apaz de reconhecer e integrar a mai oria de suas polaridades, mesmo aquelas que sã o consideradas negativas pela sociedade. No funcionamento não saudá vel, o indivíduo é incapaz de aceitar algumas p artes de si mesmo, nega algumas po laridades, aqueles aspectos que pensa serem condenáveis. Esse nã o reco nhecimento das polaridades pode gerar conflito interno no indiví duo. 

O conflito existe quando estamos diante de diferenças em oposição, ou seja, a clara percepção de desacordo em torno de algo que se constituiu um problema. É o enfrentamento das diferenças. Reconhece a diferença e depois conhece a diferença. Durante o conflito, existe potencial para podermos no diferenciar do limite do outro. Quando dois limites que o bem diferenciados entram em atrito, as duas partes experimentam um grande sentimento de contato. Os conceitos e sentimentos que estão polarizados são complexos e estão entrelaçados, podem ser relacionados com a história da pessoa, com sua percepção da realidade interior. (PAULA, G. D., 2017)

O reconhecimento das polaridades é o ponto-chave para uma vida saudável. O conflito vai existir por conta da tentativa de integrá-las de qualquer forma, existem algumas formas que o sujeito adota para tentar reduzir a "dor" de sentir-se contraditório em suas atitudes. Perls reconhece alguns pontos sobre o conflito entre as polaridades do Ser humano e suas formas possíveis de lidar com eles:

Para evitar conflitos – para permanecer dento dos limites da sociedade ou de outras unidades – o indivíduo aliena aquelas partes da sua personalidade que levariam a conflitos com o meio ambiente. A evitação de conflitos externos, contudo, resulta na criação de conflitos internos.

(Perls, 2002, p.220).

O conflito promove uma "briga" entre as polaridades "clara e escura" da pessoa. Quanto mais a pessoa aprender sobre si mesma, quanto mais descobrir os segredos e mistérios que guarda dela mesma, mais saudável se tornará. A pessoa sente-se mais confortável consigo quando tem mais conhecimento de si. Quando posso me apropriar dos dois lados, posso escolher. Quando não trabalho com a projeção deste meu lado no meio, vou buscar no meio (outro) aquele lado que "falta" em mim. Sendo assim, todo excesso esconde uma falta do "Self"; podendo acarretar adições – vícios – na forma de se relacionar do Ser humano, que será tema de nossos próximos textos.

Referências:

ANDRADE, G. P. A Teoria Paradoxal da Mudança na Prática da Gestalt-Terapia. Revista Aware, v4, n.1, 2014.

PERLS, F.S. A abordagem gestáltica e testemunha ocular da terapia. 2ª Ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros técnicos e científicos editora S.A., 1988.

PERLS, F. S. Ego, Fome e Agressão. São Paulo: Summus, 2002.

RIBEIRO, J. P. Gestalt Terapia: refazendo um caminho. São Paulo: Summus, 1985.

RIBEIRO, W. Existência essência: desafios teóricos e práticos das terapias relacionais. São Paulo, Summus, 1998.

ZINKER, J. Processo criativo em gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007. 

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