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Introdução Sobre a Influência Social Segundo a Teoria Psicanalítica

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Método: Esse texto está pautado no método psicanalítico embasando-se principalmente na obra Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921) de Sigmund Freud. A escolha se dá pela descrição precisa de Freud acerca do fenômeno de internalização do Social por parte do sujeito. 

Desenvolvimento

​Para Freud o sujeito não existe a parte do social, entende-se o social por normas, leis, costumes e hábitos valorizados por uma determinada cultura. O social coexiste com o "Eu" tendo uma confluência entre os dois, onde se influenciam mutuamente. Nas palavras de Freud: "O social e sujeito constituem um nexo único, de impossível cisão." (FREUD, 1921).

Sendo o indivíduo indissociável do social, não faz sentido falar sobre algum momento especial em que aconteceria a interação entre ambos. Pois se relacionam desde o nascimento de forma que se torna impossível a separação de atos motivados pelo social e de atos motivados pelo próprio sujeito.

Isso é fundamentado desde a primeira infância, onde a educação repassada pelos pais já foi selecionada culturalmente a partir de sua própria vivência da castração. Ou seja, as figuras de cuidado que separam o sujeito do seu objeto de desejo o fazem da forma que a sociedade o ensinou. Isso é reforçado por um "ideal de segurança do Eu", seguindo a lógica de que o filho/filha deve dominar habilidades valorizadas pela sociedade para conquistar um espaço dentro da civilização.

A partir do que já foi exposto podemos avançar para o conceito de pulsão. Por pulsão entende-se como uma fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico que se origina no corpo – dentro do organismo – e alcança a mente, como uma medida de exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência de sua ligação com o corpo. (MOURA, 2008.) Dessa forma, entende-se a pulsão como uma necessidade – ou desejo - organísmica passada para o psíquico com o intuito de ser satisfeita. As pulsões desde a primeira infância – quando ainda muito sexualizadas – são reprimidas pelas figuras de cuidado, e essa repressão calca-se nas exigências da sociedade.

Vale lembrar que para a psicanálise a repressão das pulsões é sim necessária para termos uma educação para a civilização e existe uma metáfora para explicarmos até onde essa repressão pode ir. Imagine nosso corpo como um balão, podemos botar alguns elásticos que os apertam (simbolizados pela repressão) mas caso os apertem demais o balão estoura (o estouro é simbolizado pelo conflito psíquico que origina o sofrimento). Sendo assim, existe diferença entre "pulsão do Eu" e "pulsão social" ? Freud denota que não ao descrever que a pulsão do Eu não existiria se não fosse a pulsão social e segue nessa linha de raciocínio cristalizada.

Assim, a questão da existência de uma "pulsão social" agindo nesses momentos, em contraposição a uma "pulsão individual", que seria o que a psicanálise teria como objeto de estudo, perde seu sentido, já que existiria apenas uma pulsão.

Porém, Freud ainda esbarra em outra questão. O indivíduo quando inserido em um grupo age diferente de quando está sozinho. A partir de onde se dá essa modificação de comportamento? Para descobrir o porquê disso, Freud utilizou basicamente dois autores, Le Bon e McDougall, em suas descrições da vida anímica coletiva.

Invariavelmente, Le Bon e McDougall (e outros autores citados por Freud, como os da sociologia) atribuem à sugestão quase toda a responsabilidade pelas mudanças ocorridas nos indivíduos reunidos em grupo. Mas apesar disso, não dão uma explicação que justifique o funcionamento dessa sugestão.

Diferentemente dos demais, Freud utilizou o conceito de Libido, tirado de suas práticas anteriores, para explicar a sugestionabilidade descrita por esses autores. Essa é uma das principais questões da psicanálise. Então "Freud explica" que existe um conceito chamado libido que ocorre no diálogo entre as necessidades do Eu e as normas do Social.

Libido é o conceito utilizado por Freud para descrever a energia criada pelos instintos sexuais e de sobrevivência. A libido é parte do Id (instância que despende o desejo para o organismo) que é o depositório de energia para qualquer comportamento. A catexia – que é o investimento de energia pulsional – alude ao fato de que certa quantidade de energia psíquica esteja ligada a um objeto de desejo, tanto externo como a seu representante interno (no caso da simbolização), numa tentativa de reencontrar as experiências de satisfação que lhe estejam correlacionadas (tal correlação acontece a partir da infância e adolescência). (Zimmerman, 1999).

Então o que explica a alteração do comportamento em situações de grupo é a relação entre a libido e seu investimento (catexia). No momento que o sujeito encontra-se com outras pessoas acaba por se preocupar em satisfazer alguns desejos do grupo. Podemos ressaltar que no caso de fixação da libido o investimento será barrado. Podendo até mesmo ser investido de forma exacerbada em si mesmo como no caso do narcisismo.

Considerações Finais

Dessa forma, é possível compreender que as influências não se dão apenas na educação como no caso das repressões e própria experiência de castração calcadas em ideais da sociedade. O indivíduo aprende a investir o seu desejo – libido e catexia – no outro (a partir das relações que desenvolve na infância), esse investimento pode ser sadio ou patológico.

No caso do investimento sadio o sujeito consegue ter um bom relacionamento com boa parte dos membros do seu externo – como no caso de grupos -. Em casos de fixação esse investimento é barrado e caso esse investimento seja muito exacerbado o indivíduo não toma consciência de seus desejos em meio ao grupo, como muito bem estudado pela Psicologia Social a partir do trabalho de Zimbardo com o "Efeito Lucífer". (1971).

Entendendo o circuito de afetos utilizados pelo sujeito em situações grupais estamos embasados para intervir de forma a trazer o maior bem-estar possível, que consiste no principal papel da Psicologia.

Referências:

FREUD, Sigmund (1915). O Inconsciente. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

LEOPOLDINO, Marcus M. P.; OLIVEIRA, Claudio. Do social ao individual: a psicologia das massas de Sigmund Freud. Rev. Dep. Psicol.,UFF, Niterói , v. 18, n. 1, p. 140, June 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-80232006000100013&lng=en&nrm=iso>. access on 22 Nov. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-80232006000100013.

MOURA, J. Introdução ao conceito de pulsão. Psicologado. 2007. Disponível em:<https://psicologado.com.br/abordagens/psicanalise/introducao-ao-conceito-de-pulsao> Acesso em: 22 de Novembro de 2018.

ROZA, Luiz Alfredo Garcia. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

ZIMMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica. Porto Alegre: Artmed, 1999.

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