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O Narcisismo em Psicanálise

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O Narcisismo é muito estudado em psicanálise como uma forma do sujeito participar de seu contexto tanto como uma forma criativa quanto patológica. O conceito foi proposto e desenvolvido desde Freud. O objetivo do presente texto é revitalizar o conceito de Narcisismo a partir do viés psicanalítico e demonstrar suas formas de funcionamento.

Narcisismo foi definido por Sigmund Freud como um estruturante da personalidade e funciona como modelo de relacionamento e vínculo ao longo da vida das pessoas. Estruturante, na psicanálise, consiste em um fator norteador da relação do sujeito consigo, com o outro e com o mundo. Narcisismo é um estruturante da personalidade, um processo de investimento da libido sobre o ego. 

Esta posição se comporta como um modelo de relacionamento e de vínculo, que opera ao longo de toda a vida do indivíduo. O narcisismo se faz presente em várias circunstâncias da vida, inclusive como protetor do psiquismo, porém quando ultrapassa os limites da barreira da realidade se torna um transtorno complexo. (FREUD, 1914).

Existem duas fases do narcisismo. O estágio primário concerne à procura incessante de autopreservação de sua imagem em si totalmente voltada para uma autoerotização, aqui o indivíduo ainda não consegue fazer uma diferenciação de unidade entre ele e o mundo real vivendo sempre um sentimento de onipotência como um "reizinho entronado". 

Já no secundário o indivíduo já consegue fazer um investimento em um objeto e depois esse investimento retorna para o seu ego, assim, diferencia seu corpo do mundo externo e quem ou o que o satisfaz. O bebê então percebe que ele não é mais a única fonte de desejo da mãe e com essa frustração à sua "majestade, o bebê começa a ser destronado". (MOURA, 2009, apud, NASIO, 1988, pág. 59).

Os processos narcísicos são necessários para a estruturação da personalidade do sujeito no que tange a identificação com elementos que lhe são até então externos, e depois sofrem o processo de internalização através do simbólico. O simbólico é o objeto da simbolização que é o processo de dar significado pautados em seu histórico de vida para os elementos que rodeiam o sujeito.

O transtorno narcísico constitui um estado em que o indivíduo continua fixado ou regredido no registro do imaginário, vivendo em um mundo ilusório de onipotência e pseudo-onisciência. Com isso, passa a maior parte de sua vida buscando algo, ou alguém, que confirme seu mundo ilusório, garantindo assim a preservação de sua autoestima e o sentimento de identidade, ambos muito ameaçados devido às demandas do mundo real. Em outras palavras Zimerman afirma que "Por essa razão, ele vai necessitar de um constante aporte de elogios, aplausos ou de qualquer outra prova que lhe reassegure a autoestima" (ZIMERMAN,1999).

O trabalho com estruturas narcísicas patológicas consiste em potencializar o sujeito de forma a promover os significados em si mesmo, sem a necessidade de buscar uma segurança externa para os seus processos de construção de sua própria personalidade. Assim o sujeito estará dotado de autoestima calcada em si mesmo, que é um dos principais objetivos da análise no que tange o narcisismo; ou seja, superar as fixações do Eu nos estágios anteriores a seu desenvolvimento atual. 

Seu reflexo é mais cruel que a imagem de qualquer um. Disso aí morreu Narciso.

(DJONGA, 2018)

Referências:

FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2006, Vol.XVIII.

MOURA, Joviane. Introdução ao conceito de narcisismo. 2009. Disponível em:<https://psicologado.com.br/abordagens/psicanalise/introducao-ao-conceito-de-narcisismo> Acesso em 11 de out de 2016.

ZIMERMAN, David. Fundamentos Psicanalíticos Teoria, Técnica e Clínica. 2a Ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

ZIMERMAN, David. Manual de Técnica Psicanalítica. 2a Ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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