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O Que é Psicopatologia?

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Psicopatologia é um termo que se refere tanto ao estudo dos estados mentais patológicos, quanto à manifestação de comportamentos e experiências que podem indicar um estado mental ou psicológico anormal (que dissocie da realidade lógica vivenciada pelos demais sujeitos) . Sendo assim, existem três tipos de fenômenos estudados pela psicopatologia:

Fenômenos semelhantes: São fenômenos que causam sofrimento a praticamente todos os sujeitos. A fome pode ser um exemplo, todos os sujeitos sentem fome e costumam adequar-se de forma prática à sua necessidade.


Fenômenos parcialmente semelhantes: Se dá por fenômenos que causam um sofrimento além do esperado. Todos os sujeitos podem sentir tristeza no decorrer da vida, porém uma depressão já é um quadro patológico que advêm da tristeza (gerando a apatia e todas as repercussões que serão abordadas em próximos textos).

Fenômenos qualitativamente novos: Fenômenos originados de sofrimentos comuns, mas sua ocorrência se deu de forma completamente dissociada da realidade lógica. O melhor exemplo para esse caso é o de um psicótico com seus delírios e alucinações. Os delírios e alucinações não compartilham elementos em comum com a realidade lógica vivenciada pelos outros sujeitos.

Dessa forma, a psicopatologia é uma visão fundamentada na fenomenologia (no sentido de psicologia das manifestações dos fenômenos para a consciência), em oposição a uma abordagem estritamente médica de tais patologias, buscando não reduzir o sujeito a conceitos patológicos, enquadrando-o em padrões baseados em pressupostos e preconceitos. Ou seja, como o indivíduo vivencia o seu sofrimento.

Karl Jaspers, o principal autor responsável por tornar a psicopatologia uma ciência autônoma e independente da psiquiatria, afirmava que o objetivo desta é "sentir, apreender e refletir sobre o que realmente acontece na alma do homem". A alma dessa vez tem conotação do que não se tem fácil acesso a partir de uma simples observação. 


Para Jaspers, a psicopatologia tem por objetivo estudar descritivamente os fenômenos psíquicos anormais, exatamente como se apresentam à experiência imediata, buscando aquilo que constitui a experiência vivida por quem está sofrendo. Quando se apreende a experiência do outro pode-se elaborá-la junto com ele, assim dando um significado mais equivalente à realidade lógica compartilhada, causando assim menos sofrimento. 

Para Q Serve a Psicopatologia?

A Psicopatologia tem a função de enquadrar comportamentos que sejam padrões (sintomas) em determinados sofrimentos típicos do sujeito. Dessa forma, alinha-se uma intervenção clínica para estes e facilita o seu tratamento.

Também tem a função de criar uma linguagem própria para o público "psi" (formado por psicólogos, psiquiatras e psicopedagogos) e acaba por servir também à assistência social.

Pode-se pensar na Psicopatologia como uma ciência de base que fundamenta o serviço de vários outros profissionais, auxiliando quanto à compreensão do sintoma, diagnóstico, intervenção clínica e manejo.

A Saúde Mental contemporânea interligada à lógica psiquiátrica têm tensionado a psicopatologia a se transformar o tempo todo, aderindo a visões mais humanizadas. Hoje a lente mais utilizada pela Psicopatologia é a fenomenologia (como dito anteriormente), que apreende o sofrimento do sujeito a partir da sua própria forma de vivenciar a sua experiência. É importante também a distinção entre a experiência que foi traumática e como o sujeito se transformou depois dessa vivência, assim têm-se a clara compreensão de suas formas de se ajustar ao mundo.

Notoriza-se também que um sujeito não adotou quadros psicopatológicos para a sua vida por algum tipo de tendência ao negativo, desejo de sofrimento. Apenas se adequou da melhor forma que lhe foi possível a partir de uma experiência que lhe foi desagradável. Os comportamentos que hoje já não são mais funcionais podem ser transformados em ajustamentos criativos por meio da intervenção clínica e da observação criteriosa através da lente da fenomenologia nos dada por Husserl.

Hoje são desenvolvidos livros com todos os diagnósticos encontrados de forma criteriosa que se intitulam DSM. Já foi divulgada a quinta edição do livro com adequações nos quadros psicopatológicos.

Referências:

CANGUILHEM, G. (1995). O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Originalmente publicado em1943).

FOUCAULT, M. (1994). O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, (Originalmente publicado em1963).

JASPERS, Karl. The Phenomenological Approach in Psychopathology. British JournalofPsychiatry. Reino Unido, v. 114, p. 1313-23, nov./1968 (originalmente publicado em Zeitschriftfür die GesamteNeurologie un Psychiatrie, 1912).

PINHEIRO, Clara Virginia de Queiroz; ALBUQUERQUE, Kelly Moreira de. Psicopatologia e saúde mental: questões sobre os critérios que orientam a percepção clínica. Rev. Subj. , Fortaleza , v. 14, n. 1, p. 9-16, abr. 2014 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2359-07692014000100002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 10 out. 2018.

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