Tempo de leitura: 4 minutos (724 palavras)
Destacado 

O Que Você Precisa Saber Sobre a Comunicação Não Violenta

mensagem-comunicacao-escuta

A Comunicação não violenta é uma nova metodologia adotada nas corporações para aumentar o desempenho de funcionários. Consiste em um conjunto de habilidades de comunicação com o outro que promove o bem-estar de todos e a fomentação de um ambiente sadio.

Os valores dessas técnicas para as relações sociais fora de ambientes corporativos ainda é muito pouco estudada, porém pode-se entender que evoluir a forma de se comunicar é psiquicamente frutífero em todos os ambientes.

A linguagem pode adotar uma violência silenciosa em suas palavras, sendo também uma forma de transmitir afetos que pode acabar por impactar positiva ou negativamente a vida de todos. Inclusive na de quem se utiliza da comunicação.


Marshall Rosenberg é o maior representante desse estilo de comunicação. Descreve que o ato de comunicar-se deve ser recheado de empatia, percepção de si e do outro, fazendo uso também da compaixão

"O que almejo em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração." 

Marshall Rosenberg

A Comunicação Não Violenta tem o objetivo de resgatar o que há de mais genuíno nas pessoas: suas emoções, valores e a capacidade de se expressarem com honestidade, ajudando os outros com real empatia – ou seja, mergulhando nas verdadeiras necessidades do outro e não em sua vontade de parecer altruísta. Considera um interesse genuíno em comunicar-se com o outro sem qualificá-lo, apenas dispondo-se de forma presente na relação.

Para encontrar uma forma de comunicação genuína, é preciso interromper o fluxo de nossos pensamentos habituais e oferecer uma escuta atenta. O maior sinal de que alguém realmente foi ouvido com empatia é quando a tensão de suas palavras diminui e ela pode parar de falar e se sentir considerada e mais relaxada sem achar que precisa fazer ou aprender algo.

Existem alguns comportamentos concorrentes ao comportamento de comunicar-se de forma sensível, são eles:

  1. Aconselhar: "você deveria" (imposição de perfeição)
  2. Competir pelo sofrimento: "comigo foi até pior, nem imagina..." (quer subestimar a dor do outro e reverter a posição de vítima)
  3. Educar: "que aprendizado pode tirar dessa situação?" (quer catequizar)
  4. Consolar: "você fez o melhor que pôde" (tenta racionalizar uma dor)
  5. Contar uma história: "isso lembra uma história que ouvi" (desviar o foco para uma lição de moral)
  6. Encerrar o assunto: "fica bem tá?" (desvia da dor pela própria dificuldade em lidar com ela)
  7. Solidarizar-se: "oh, meu deus, coitado" (postura incapacitante)
  8. Interrogar: "já pensou que essa pessoa não quis dizer aquilo?" (tenta investigar motivações intelectuais ocultas para afastar da dor emocional)
  9. Explicar-se: "eu no seu lugar teria já feito..." (colocar-se em forma superior)
  10. Corrigir: "você não entendeu nada do que aconteceu, está errada também" (criar culpa)

Agora já sabemos o que não fazer para exercer uma comunicação saudável, e agora o que fazer ?

Exercer a sensibilidade consigo mesmo é o primeiro passo para conseguir tratar o outro da mesma forma. Que tal experimentar suas sensações com um pouco mais de compaixão? Em vez de nos sentirmos culpados por alguma falha que tal sabermos o que erramos para melhorar na próxima e compreendermos que fizemos nosso máximo para executar determinada tarefa? Esta é uma sugestão de exercício que você pode praticar no seu dia a dia.

Também existe mais uma sugestão de Marshall Rosenberg. Quando se sentir prestes a explodir, experimente:

  1. Parar e respirar profundamente
  2. Identificar os próprios pensamentos, em especial aqueles julgadores
  3. Conectar-se às próprias necessidades, escondidas por trás da raiva
  4. Expressar seus sentimentos e necessidades não-atendidas

Marshall dá o seguinte exemplo, em seu livro "Comunicação não-violenta", de como reagir a um atitude de discriminação racial:

"Quando você entrou nessa sala, começou a conversar com os outros, não falou nada comigo e então fez um comentário sobre brancos, fiquei realmente enojado e muito assustado. Isso despertou em mim todo tipo de necessidade de ser tratado com igualdade. Eu gostaria que você me dissesse como se sente quando digo isso."

Marshall Rosenberg

A comunicação não-violenta teria muitos desdobramentos e percursos que não foram tratados nesse texto (como elogiar com verdadeira empatia, lidar em conflitos de guerra, negociação com criminosos, educação escolar, justiça restaurativa, como e quando usar a força física...), mas gostaria de ouvir vocês e saber se estão satisfeitos com o modo como se comunicam hoje.  

Referências:

ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. 3. ed. São Paulo: Ágora, 2006.

SOUZA, Roberto A. Comunicação não violenta: uma maneira de concentrar a atenção. Disponível em: <http://conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.26933> Acesso em 11 de maio 2013.

0
Por que Ficamos Mais Introvertidos com a Idade?
O Processo de Adaptação da Criança na Educação Inf...

Textos Relacionados

 

Comentários (0)

Nenhum comentário foi feito ainda, seja o primeiro!

Deixar seu comentário

  1. Postando o comentário como visitante. Cadastre-se ou faça login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Share Your Location
Digite o texto apresentado na imagem abaixo. Não consegue ver?

Relacionados

Fique por Dentro

Junte-se aos leitores inteligentes que recebem nossas novidades direto no e-mail:

Textos de Psicologia em Destaque:

Portal Psicologia