Tempo de leitura: 3 minutos (517 palavras)

O Rap Como Facilitador da Inclusão Social

cap-como-facilitador-inclusao-social

Muito se discute acerca da função do rap na sociedade, parte da sociedade associa com a criminalidade da periferia, violência, uso de drogas, tráfico, prostituição, dentre outros fenômenos sociais de conotação negativa. Porém, muitos estudos têm comprovado que o rap tem tido influência fundamental para facilitar o movimento de inclusão social da comunidade periférica. Isso fica comprovado na tese de doutorado na USP da Tiarajú Pablo D'Andrea, intitulada "A formação dos sujeitos periféricos: cultura e política na periferia de São Paulo".

Com o desdobramento do neoliberalismo realmente a periferia foi muito marginalizada e esquecida pelo Estado, simbolizando o local onde ficava a criminalidade que deveria ser destruída. Porém, o binômio de violência e pobreza agora é outro; agora se configura como cultura e potência.

Os artistas mais consumidos hoje vieram da periferia, o que ressalta a arte como fator disparador para a inclusão social desse público que nasce e cresce marginalizado, carente de saúde, educação e acesso a qualquer bem que lhe é de direito.

Então o que pode ser levantado no presente texto é que o rap – gênero musical mais comum nas periferias, logo em seguida é o funk – tem sido um fator conclusivo para a participação da comunidade periférica em sociedade e para a mudança de vida. A música estabelece um concorrente claro quanto a vida do crime – comandado pelas drogas, assaltos, furtos -, o que diminui em muito a marginalidade caso seja investido em cultura nesses espaços periféricos.

Os artistas de rap têm sido cultuados como estilos de vida que podem ser seguidos, como referências. O periférico hoje pode passar por cima do estigma de onde vive e passar a ter orgulho de ser da periferia pois aquele sujeito que hoje tem muito sucesso nasceu no mesmo lugar e condições que ele. Outro fator muito determinante apontado por Tiarajú são três desdobramentos de uma possível subjetividade na periferia, o PCC – que sinaliza a criminalidade -, o Lulismo – que sinaliza um consumo a partir de algumas condições – e os coletivos artísticos da periferia. Os coletivos artísticos da periferia por sua vez são verdadeiras máquinas de socialização e de inclusão social, pois são capazes de formar grupos que juntam determinadas habilidades que são valorizadas socialmente e além disso estipula uma ética regulatória, onde atividades criminosas não são aceitas. A Psicanalista Maria Rita Kehl (2008) chama essa prática de esforço civilizatório. É quando a civilização já existe mas constrói-se mesmo assim uma prática com o fim de garantir o seu funcionamento.

Como forma de conclusão do presente artigo gostaria de convidá-los para escutar duas músicas para entender na fala dos próprios periféricos de como o rap facilita a inclusão e de como se deu esse caminho. São eles A vida é um desafio do grupo de rap Racionais MC's e 10 anos de Triunfo do Rapper Emicida.

Referência:

​D'ANDREA, Tiarajú Pablo. A formação dos sujeitos periféricos: cultura e política na periferia de São Paulo. 2013. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, University of São Paulo, São Paulo, 2013. doi:10.11606/T.8.2013.tde-18062013-095304. Acesso em: 2019-01-08.

1
Análise do Filme O Senhor das Moscas com Base Nas ...
A Pulsão em Psicanálise

Textos Relacionados

 

Comentários (0)

Nenhum comentário foi feito ainda, seja o primeiro!

Deixar seu comentário

  1. Postando o comentário como visitante. Cadastre-se ou faça login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Share Your Location
Digite o texto apresentado na imagem abaixo. Não consegue ver?

Relacionados

Fique por Dentro

Junte-se aos leitores inteligentes que recebem nossas novidades direto no e-mail:

Textos de Psicologia em Destaque:

Portal Psicologia