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O Uso de TDIC’s na Aprendizagem: Reflexões Necessárias

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Quais são as Tecnologias que Podem ser Usadas para a Aprendizagem ?

Por muito tempo foram usados as TIC’s (Tecnologias de Informação e Comunicação) como um recurso que facilita a aprendizagem. As TIC's eram ferramentas tecnológicas que facilitavam a exposição de conteúdos e instruções de como realizar determinadas tarefas que um determinado assunto requeria, como programas que exibem contas de determinadas operações de matemática. Tais ferramentas foram utilizadas em vários cursos, principalmente no curso de matemática integrando até mesmo a formação de professores. Logo evoluiu para as TDIC’s (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação), agora o aprendiz pode interagir com o sistema em vez de apenas estar exposto às suas atividades, esse sendo o principal diferencial em relação à ferramenta anterior que presumia um uso passivo da ferramenta. Os programas digitais favorecem uma aprendizagem mediada, ou seja, o programa pode ser usado de forma independente e autônoma e o professor apenas facilita essa interação do aprendiz com a ferramenta. (Rossato, 2014).

A evolução das TIC’s para as TDIC’s foi uma das responsáveis por uma das principais evoluções da educação facilitada pela tecnologia, e também uma virada de perspectiva histórico-cultural.

Qual foi uma das Principais Revoluções da Educação Facilitada pela Tecnologia? E Quais Foram seus Impactos ?

Nos primórdios as ferramentas tecnológicas foram usadas numa perspectiva instrucionista, onde a tecnologia era mediada pelo professor no intuito de ensinar de uma forma mais sintetizada e expositiva; “como uma máquina de ensino”. Nessa perspectiva o professor não tinha o auxílio necessário do dispositivo para possibilitar ao aluno a exploração, que é, fundamental para o domínio do conhecimento; se configurava apenas como uma “mediação passiva”. A ferramenta continuava sendo uma mediadora por exercer influência externa e ser um terceiro no contexto educativo. Porém, o cenário foi revolucionado a partir da perspectiva construtivista. (Palfrey e Gasser, 2011)

Na perspectiva construtivista o professor representa mais um instrumento que pode ser utilizado pelo aluno na sua busca pelo aprender. Dessa forma, as tecnologias digitais são utilizadas seguindo dois princípios fundamentais: primeiro o de “aprender a aprender” e o conseguinte, saber como fazer (“know how”) a tarefa à qual se está aprendendo. (Rossato, 2014)

Aprender a aprender pode, à primeira vista, parecer paradoxo, porém tal habilidade consiste em utilizar dispositivos que tenham o intuito de facilitar a aprendizagem de forma a conhecer um determinado assunto para constituir-se como um estudante autônomo construído sócio-historicamente.

A dúvida que se configura a partir do ponto em que o sujeito deve ser visto holisticamente é como um sujeito que nasceu entremeado na tecnologia, tendo seu uso focado único e/ou exclusivamente na diversão pode passar a usar a ferramenta para a sua aprendizagem? 

Reflexões Necessárias Para o Uso das Tecnologias Dentro e Fora de Sala de Aula            

Neste ponto se faz necessário explicar como se dá a aprendizagem a partir da tecnologia, sem desfocar dos princípios fundamentais: aprender a aprender e saber como executar a tarefa que a disciplina se propõe a ensinar.

Primeiro é preciso identificar quem é o sujeito da sociedade digital. O sujeito do séc. XXI pode já nascer rodeado de ferramentas tecnológicas e o professor que se propõe a facilitar tal aprendizagem tem que estar preparado para estar em frente a diversas realidades. Realidades cocriadas e derivadas a partir da superexposição à redes sociais, jogos online que estão cada vez mais acessíveis pelo desenvolvimento da engenharia da computação que produz hardwares cada vez mais poderosos e com tamanhos reduzidos, acessíveis à palma da mão, e com preços cada vez mais módicos. A exclusão digital também representa um obstáculo, muitas pessoas com pouco poder aquisitivo ainda não têm acesso às tecnologias e teriam que ser ensinadas a utilizar tais ferramentas de forma proveitosa. No entanto, o principal desafio por parte do educador se constitui em facilitar a transcendência da cultura ocidental de que a tecnologia só está associada à diversão. Hoje já existem diversas ferramentas tecnológicas, especialmente notadas no campo da aprendizagem de idiomas, que tornam a experiência de aprender mais intuitiva e o desempenho visível através de relatórios de resultados conseguidos em cada etapa. (González Rey, 2003).

Além da ressignificação do uso da tecnologia a adoção das TDIC’s na educação possui uma outra vantagem, a exclusão digital reduziria em muito. Apesar da superexposição, muitas pessoas ainda não possuem acesso a tais ferramentas, caso as escolas as disponibilizassem isto poderia facilitar o acesso e ainda ensinar como utilizá-las de forma criativa direcionando ao fim de obter conhecimentos nas mais diversas áreas.

Portanto, a aprendizagem mediada pelo uso de tecnologias digitais não representa nenhuma ameaça ao sistema tradicional de ensino. Vem apenas como mais uma gama de possibilidades de facilitar a aprendizagem de conteúdos das mais diversas áreas, além de transformar fatores sociais mantidos por um longo período de tempo até hoje, como o caso da exclusão digital por baixa renda e uma reversão criativa do mau uso da tecnologia.

As pesquisas na área ainda são muito escassas talvez devido à resistência – compreensível – de educadores de transformar a sua prática educacional, por isso se torna necessário o desenvolvimento de novas pesquisas que norteiem o trabalho do professor, além de um mediador do conhecimento, como um facilitador do uso das tecnologias digitais no contexto educacional.

Dessa forma, o uso adequado das tecnologias no contexto educacional se mostra uma ferramenta adequada para lidar com diversas problemáticas contemporâneas.

Referências:

González Rey, F. L. (2003). Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural (R. S. L. Guzzo, Trad.) São Paulo: PioneiraThomson Learning.

 Palfrey, J.,&Gasser, U. (2011). Nascidos na era digital: entendendo a primeira geração dos nativos digitais (M. F. Lopes, Trad.). PortoAlegre: Artmed. (Trabalho original publicado em 2008).

 Rossato, M. (2014). A aprendizagem dos nativos digitais. Em A. Mitjáns Martínez,& P. Álvarez (Orgs.), O sujeito que aprende: diálogo entre a psicanálise e o enfoque histórico-cultural (pp. 151-178). Brasília: Liber Livro.

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