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Psicologia Escolar no Brasil: considerações e reflexões históricas

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Para abordar a Psicologia Escolar é necessário primeiro delimitar o seu poder de ação como forma de classificar o seu fazer. Essa área da Psicologia se desenha como uma articulação entre uma área de conhecimento e um campo de prática social focada na escola e nas relações que com ela se estabelecem. Então, na tentativa de ser o menos reducionista possível este texto irá focar na prática social que se desenvolve na escola e com os seus atores que estabelecem suas relações e constroem suas histórias singulares também a partir da instituição educacional.

Segundo Mitsuko (2008), a Psicologia Escolar se desenvolve desde a era colonial tendo em seu bojo elaborações de fenômenos psicológicos envolvidos na educação e na pedagogia. Agora o sujeito já era percebido como ativo em seu processo educacional embora as técnicas fossem ainda rudimentares. Deste modo foram bem vindas as contribuições de Massimi (1986; 1990), que acaba por identificar temas como: aprendizagem, desenvolvimento, função da família, motivação, papel dos jogos, controle e manipulação do comportamento, formação da personalidade, educação dos indígenas e da mulher, entre outros temas que, mais tarde, tornaram-se objetos de estudo ou campos de ação da psicologia e amplamente utilizados. O ambiente escolar já começou a ser percebido como um espaço onde os atores que estão envolvidos elaboram a sua personalidade, se constroem e se reconstroem sendo autores de sua própria história, sugerindo uma autonomia. E agora, como essa autonomia pode ser evidenciada?

Com o intuito de desenvolver a autonomia de todo o corpo da escola, fundamentos da Psicologia Escolar são reinventados e rearticulados abrindo espaço para a criação da Psicologia Escolar Crítica, e também em contraponto a uma "naturalização" de dificuldades de aprendizagem, que tendia a patologizar e individualizar o processo educativo. Dessa forma, a Psicologia Escolar vem com a visão de articular politicamente para dialogar com todas as camadas sociais e promover uma inclusão escolar de todas as espécies.

Essa promoção de inclusão garante que os estudantes tenham consciência de sua responsabilidade no processo educacional, valorizem a cultura onde estão inseridos, tenham compromisso com a sua função social e inclusive participem da elaboração do que venha a ser a sua função social. Quais são os impactos desse conjunto de articulações?

Os impactos de uma Psicologia Escolar Crítica são estudantes engajados, compromissados com a sociedade e conscientes de sua responsabilidade. Porém, a cultura tradicional está arraigada no povo brasileiro e trabalha de encontro com as ações promovidas pela criticidade da psicologia nas escolas. Embora apresente resultados incríveis de aumento de desempenho em atividades escolares pelo sentimento de maior pertencimento ao contexto, a elaboração de metodologias ativas, a reinvenção de planos pedagógicos das escolas a muito envelhecidos, a sociedade ainda é muito arredia em relação ao desenvolvimento de projetos. Existe também o agravante de que uma equipe de psicologia demonstra não ser a prioridade para muitas instituições, apesar de sua funcionalidade.

O psicólogo escolar é um profissional insubstituível, por ser um profissional que entende o processo educativo como um todo e, também, os seus aspectos subjetivos. Podendo assim fazer uso de diversas ferramentas que auxiliam no desenvolvimento não só escolar do aluno como também no aspecto pessoal.

A psicologia deve assumir seu lugar como um dos fundamentos da educação e da prática pedagógica, contribuindo para a compreensão dos fatores presentes no processo educativo a partir de mediações teóricas "fortes", com garantia de estabelecimento de relação indissolúvel entre teoria e prática pedagógica cotidiana

(Mitsuko, 2008)

​Dessa forma, perceve-se que o papel do psicólogo escolar é articular sua bagagem teórica com práticas em campo. Sempre envolvendo a luta, a liberdade e a conquista de autonomia por todos através da educação; da forma mais honrosa.

Referências:

ANTUNES, Mitsuko Aparecida Makino. Psicologia Escolar e Educacional: história, compromissos e perspectivas. Psicol. Esc. Educ. (Impr.), Campinas , v. 12, n. 2, p. 469-475, Dez. 2008 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572008000200020&lng=en&nrm=iso>. Accesso em 6. Set. 2018.

MASSIMI, M. As origens da psicologia brasileira em obras do período colonial, in: História da Psicologia. São Paulo, EDUC, Série Cadernos PUC-SP, n. 23, 1987, pp. 95-117.

__________. História da psicologia brasileira. São Paulo, EPU, 1990. 

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