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Conheça os 9 Traços Mais Obscuros da Personalidade

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Pessoas egoístas, maquiavélicas, narcísicas e psicopatas compartilham traços em comum, que foram agrupados no denominado "núcleo escuro" da personalidade e representam os traços mais obscuros que você também pode ter.

Esta descoberta é resultado de uma pesquisa alemão-dinamarquêsa recentemente publicada. Que ainda afirma que se você tem um desses traços, é provável que apresente ainda um ou mais dos outros traços obscuros.

Tanto a história do mundo quanto a vida cotidiana estão repletas de exemplos de pessoas agindo impiedosamente, de forma maliciosa ou egoísta. Na psicologia, assim como na linguagem cotidiana, temos nomes diversos para as várias tendências sombrias que o ser humano pode ter, principalmente psicopatia (falta de empatia), narcisismo (o foco em si mesmo excessivo) e maquiavelismo (a crença de que os fins justificam os meios) - a chamada tríade do mal.

Embora à primeira vista pareça haver diferenças notáveis ​​entre esses traços - e pode parecer mais "aceitável" ser um egoísta do que um psicopata - essa nova pesquisa mostrou que todos os aspectos obscuros da personalidade humana estão intimamente ligados e são baseados em uma mesma tendência. Isto é, a maioria das características obscuras pode ser entendidas como manifestações com o teor de uma única disposição subjacente comum: o núcleo escuro da personalidade.

Na prática, isso implica que, se você tem uma tendência a mostrar um desses traços sombrios de personalidade, também é mais provável que você tenha uma forte tendência a exibir um ou mais dos outros.

Como a nova pesquisa revela, o denominador comum de todos os traços obscuros, que foi chamado de Fator D, que pode ser entendido como uma tendência subjacente de se colocar em primeiro lugar à custa dos outros.

A pesquisa mostra que os traços escuros em geral podem ser entendidos como exemplos desse núcleo comum - embora possam diferir em quais aspectos são predominantes (por exemplo, o "aspecto justificativa" é muito forte no narcisismo, enquanto o aspecto de "provocar falta de utilidade malévola" é a principal característica do sadismo). Ingo Zettler, professor de psicologia na Universidade de Copenhague, e dois colegas alemãos, Morten Moshagen, da Universidade de Ulm e Benjamin E. Hilbig, da Universidade de Koblenz-Landau, demonstraram como esse denominador comum está presente em nove dos mais comumente estudados traços obscuros de personalidade, sendo assim demonstrados:

  1. Egoísmo: Uma preocupação excessiva com a própria vantagem à custa dos outros e da comunidade.
  2. Maquiavelismo: Uma atitude manipuladora e insensível e uma crença de que os fins justificam os meios .
  3. Desconexão Moral: Estilo de processamento cognitivo que permite comportar-se de maneira antiética sem sentir ansiedade.
  4. Narcisismo: Auto-absorção excessiva, senso de superioridade e extrema necessidade de atenção dos outros
  5. Senso de Merecimento / Direito Psicológico: Uma crença recorrente de que é melhor que outros e merece melhor tratamento.
  6. Psicopatia: Falta de empatia e autocontrole, combinada com comportamento impulsivo.
  7. Interesse Próprio: O desejo de promover e destacar o próprio status social e financeiro.
  8. Sadismo: Desejo de causar dano mental ou físico a outra pessoa para seu próprio prazer ou para se beneficiar.​
  9. Rancor: Disposição para causar danos ou destruir outras pessoas, mesmo se machucar a si mesmo no processo.

Em uma série de estudos com mais de 2.500 pessoas, os pesquisadores perguntaram até que ponto as pessoas concordavam ou discordavam de declarações como "É difícil progredir sem perder espaço aqui e ali". "Às vezes, vale a pena sofrer um pouco com isso." "Minha parte é ver os outros receberem a punição que merecem. " ou "Eu sei que sou especial porque todo mundo continua me dizendo isso." Além disso, eles estudaram outras tendências e comportamentos autorreferidos, como agressividade ou impulsividade, e medidas objetivas de comportamento egoísta e antiético.

O mapeamento dos pesquisadores foi o "fator D comum", que foi publicado na revista acadêmica Psychological Review, pode ser comparado a como Charles Spearman mostrou há 100 anos que as pessoas que ganham muito em um tipo de teste de inteligência também têm uma pontuação alta em outros tipos de testes de inteligência, porque há algo como um fator geral de inteligência.

"Da mesma forma, os aspectos sombrios da personalidade humana também têm um denominador comum, o que significa que - semelhante à inteligência - pode-se dizer que todos eles são uma expressão da mesma tendência disposicional", explica o pesquisador Ingo Zettler.

Por exemplo, em uma determinada pessoa, o fator D pode se manifestar principalmente como narcisismo, psicopatia ou um dos outros traços sombrios, ou uma combinação destes. Mas com o mapeamento do denominador comum dos vários traços obscuros da personalidade, pode-se simplesmente verificar que a pessoa tem um fator D alto. "Isso ocorre porque o fator D indica a probabilidade de uma pessoa se envolver em comportamento associado a um ou mais desses traços sombrios", diz ele. Na prática, isso significa que um indivíduo que exibe um determinado comportamento malévolo (como gostar de humilhar os outros) também terá uma probabilidade maior de se engajar em outras atividades malévolas (como enganar, mentir ou roubar).

Os nove traços escuros não são de forma alguma os mesmos, e cada um pode resultar em tipos específicos de comportamento. No entanto, em sua essência, os traços escuros geralmente têm muito mais em comum que os diferencia.

E o conhecimento sobre esse "núcleo escuro" pode desempenhar um papel crucial para pesquisadores ou terapeutas que trabalham com pessoas com traços específicos de personalidade sombria, pois é esse fator D que afeta diferentes tipos de comportamentos e ações humanas imprudentes e maliciosas, frequentemente relatados na mídia.

"Nós vemos, por exemplo, em casos de violência extrema, ou quebra de regras, mentiras e enganos nos setores corporativo ou público. Aqui, o conhecimento sobre o fator-D de uma pessoa pode ser uma ferramenta útil, por exemplo, para avaliar a probabilidade de a pessoa reincidir ou se engajar em comportamentos mais prejudiciais", ressalta o pesquisador. O que torna assustador o fato de que comportamentos ligados à psicopatia são reforçados no meio corporativo.

Referências:

M ORTEN Moshagen , BENJAMIN E. Hilbig , INGO Zettler . The dark core of personality . . Psychological Review , 2018; DOI: 10.1037/rev0000111

University of Copenhagen. "Psychologists define the 'dark core of personality'." ScienceDaily . ScienceDaily , 26 September 2018. < www.sciencedaily.com/releases/2018/09/180926110841.htm >.

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