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Traços de Psicopatia Podem Estar Ligados a Uma Disfunção na Integração de Informações Neurais

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Uma equipe internacional de pesquisadores encontrou evidências de que os traços de psicopatia estão relacionados a alterações na eficiência básica da comunicação neural. 

"Indivíduos com traços que remetem à psicopatia parecem processar o mundo em torno deles de uma forma fundamentalmente diferente do que outros indivíduos, permitindo-lhes cronicamente e insensivelmente prejudicar os outros e se envolver em outros tipos de comportamentos anti-sociais"

explicou o autor do estudo Scott Tillem da Universidade de Yale.

O Pesquisador afirmou que sempre esteve interessado em entender não apenas como esses indivíduos percebem e processam o mundo ao seu redor, mas, por que, neurologicamente, esses indivíduos parecem processar o mundo de maneira tão diferente.

No estudo, 172 participantes de Rotterdam completaram uma medida de psicopatia antes que os pesquisadores usassem um eletroencefalograma para examinar a atividade elétrica em repouso de seu cérebro. Tillem e seus colegas descobriram que os participantes que pontuaram mais na medida da psicopatia tendiam a ter comunicação neural menos eficiente dentro das bandas de frequência alfa1 e gama.

As novas descobertas ajudam a explicar pesquisas anteriores, que verificaram que os traços estavam relacionados a problemas com o pensamento contrafactual, ou seja, a comparação da realidade com alternativas hipotéticas.

"Por exemplo, ao decidir se deve ou não roubar alguém andando na rua, um indivíduo não-psicopata pode ser capaz de processar rapidamente múltiplos aspectos da situação, tais como: os benefícios potenciais de roubar daquela pessoa (ou seja, objetivo / recompensa), o impacto potencial ou dano que suas ações podem ter sobre a outra pessoa, e as consequências potenciais dessa ação para si (por exemplo, o risco de ser pego e preso / encarcerado), e usar/integrar todos esses aspectos da situação em seu processo de tomada de decisões "

disse Tillum

Uma pessoa com traços de psicopatia pode levar substancialmente mais tempo para integrar todas essas informações. Isso poderia significar que, no momento em que eles estão realmente decidindo como agir, eles realmente só processaram os benefícios potenciais do roubo e, portanto, seriam incapazes de incorporar / explicar outros aspectos da situação (por exemplo, dano ao outro) pessoa, o risco de punição / encarceramento, etc.) em seu processo de tomada de decisão.

É como se existisse uma falha das estruturas responsáveis por sinalizar perigo em situações que envolvem de fato um risco à integridade física, dentre outros tipos de riscos.

Porém, o indivíduo com traços de psicopatia possui o seu Id muito potente em seus momentos de transgressão, o que dificulta o trabalho do Superego impor seus limites e do Ego conseguir capturar uma possibilidade sadia em forma de decisão factual. Vale ressaltar que essa é a visão da psicanálise para esse tipo de comportamento, existem várias outras lentes que podem enxergar o constructo Psicopatia.

Nas análises psicométricas os testes avaliam algumas escalas básicas, como a falta de empatia, falta de remorso por ter feito algo que prejudicou o próximo, algumas dinâmicas familiares também podem ser avaliadas – caso disfuncionais pode ser um aspecto da etiologia que deve ser traçada para o desenvolvimento desse tipo comportamento.

A Escala Hare é um dos testes psicológicos mais utilizados para avaliar a psicopatia, muito usado em instituições norte-americanas responsáveis por sócio-educação e definitivo para analisar se uma pessoa está pronta para receber seu direito à liberdade de volta ou se ainda precisa passar por processos de reintegração social. 

A psicopatia é entendida atualmente no meio forense como um grupo de traços ou alterações de conduta em sujeitos com tendência ativa do comportamento, tais como avidez por estímulos, delinquência juvenil, descontroles comportamentais, reincidência criminal, entre outros. 

É considerada como a mais grave alteração de personalidade para convívio social, uma vez que os indivíduos caracterizados por essa patologia são responsáveis pela maioria dos crimes violentos, cometem vários tipos de crime com maior frequência do que os não-psicopatas e, ainda, têm os maiores índices de reincidência apresentados. (AMBIEL, 2008). Assim, o que o PCL – R (Checklist de Sociopatia – Revisado) pretende diferenciar são os psicopatas dos não-psicopatas, segundo a proposta de Hare. Um dos principais objetivos da escala é identificar os sujeitos com maior probabilidade de reincidência criminal, sendo assim, além de um instrumento diagnóstico importante para tomada de decisão acerca do trâmite do condenado no sistema penal, uma ferramenta para separar os que apresentam tal condição daqueles que não a apresentam, com vistas a não prejudicar a reabilitação dos chamados criminosos comuns – os que sugerem um risco de leve a moderado para a sociedade e para si mesmos.

A partir do que foi explanado percebe-se que ainda há muito a ser estudado na área da psicopatia, principalmente quanto a delimitação de traços da psicopatia que são reforçados pela nossa forma de nos organizarmos na sociedade atual – como a eterna competição entre pessoas, principalmente dentro de corporações e universidades, o que sugere uma falta de empatia e "(des)humanização" do outro, - vê-lo apenas como uma barreira para alcançar seus objetivos -, então os traços obscuros da personalidade ganham força a partir de uma estruturação da vida em sociedade e não são revitalizadas apenas por uma ontogenia ou genética (como já foi muito discutido pela comunidade científica como causa de comportamentos classificados como característicos de psicopatas).

Esperamos que nessas pesquisas sejam desenvolvidos conceitos claros de cada aspecto mensurado assim como a escolha de uma escala abrangente, com uma mensuração cuidadosa do comportamento do indivíduo podemos acompanhar o que faz alguém transgredir regras mais do que outra pessoa e o que leva à recorrência dessas transgressões. 

Referências:

AMBIEL, Rodolfo Augusto Matteo. Diagnóstico de psicopatia: a avaliação psicológica no âmbito judicial. Psico-USF (Impr.), Itatiba , v. 11, n. 2, p. 265-266, Dec. 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712006000200015&lng=en&nrm=iso>. access on 11 Nov. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-82712006000200015 .

Hare, R. D. (2004). Manual Escala Hare PCL - R: critérios para pontuação de psicopatia - revisados. Versão brasileira: Hilda Morana. São Paulo: Casa do Psicólogo.

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